quarta-feira, 9 de novembro de 2011

QUANTO MAIS VELHO, MAIS PÉS NO CHÃO

--- Numa manhã tão azul como esta, minha vontade é bater asas e voar.
--- E por que não voa?
--- Eu tenho medo de altura.
--- Que horas são?

sábado, 5 de novembro de 2011

MOEMA NUMA VIRTUAL TARDE DE SÁBADO

A realidade do tempo virtual nem sempre combina com a do tempo real.
Tempo virtual é o que pode vir a ser. É o novo tempo de Moema.
As árvores continuam na real, mas elas são invisíveis num mundo virtual e o vir a ser passa por elas ligado num celular, indiferente.
Nas mesas dos bares, choperias e restaurantes nem adianta beber para voltar ao tempo real. Conversas e olhares virtuais deixam patéticos os velhos garçons que ainda não são magnéticos.
Num mundo onde as pessoas vivem a sós com seus celulares de que servem cadeiras nas calçadas, se ninguém vai perceber a solidão menina de rua passar?
E as mãos negras e mendigas daquela mulher não encontram outras mãos, só as de si mesma, numa súplica. No tempo virtual são raros os momentos em que se pode juntar as mãos num Obrigado, meu Deus, ou num Deus lhe Pague.
Na avenida Lavandisca, em Moema, havia um pé de Dama da Noite.
Só os bêbados de passagem sentiram seu perfume em tempo real.
Desculpem os ais, mas hoje é enjoativo o cheiro das damas da noite virtuais.
Dá até medo de sonhar, porque vai tocar o celular.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

DIA DE FINADOS


O vento frio, as nuvens e o Sol da manhã brincavam com a tristeza.
As nuvens que o vento trazia e encobriam o Sol deixavam a mensagem de que a morte é uma sombra.
Mas, o mesmo vento levava as nuvens embora e surgia o Sol e ficava outra mensagem: a morte é apenas a sombra da Luz.
Uma sombra passageira, que vem e que vai na nossa eternidade.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

LÁ FICA BEM PERTINHO


É lá que se ouve o silêncio dos que sabem que não sabem.
É lá que está escrito o que jamais ninguém leu.
É lá que os olhos se iluminam com o que nunca viram.
É lá que se toca o impalpável.
É lá que todos os perfumes se condensam numa gota de orvalho.
É lá que todas as bocas sorriem sem fome.
Lá é tão pertinho. Lá fica bem aqui atrás do nosso espelho.

MAIS VELHINHOS I

DALTÔNICO
---Se o Vermelho se chamasse Verde e o Verde se chamasse Vermelho, que cor teria o Verde?
--- Não vou responder. Sou daltônico, distraído e aposentado.
--- Que horas são?

COMPREENSÃO
--- Bom na velhice é compreender, enfim, que tudo é incompreensível.
--- Bom mesmo. Só agora compreendo minha mulher.
--- Que horas são?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

MAIS VELHINHOS

BEIJINHO DOCE
--- Você se lembra de alguma decepção na adolescência?
--- Meu primeiro beijo no cinema. Um beijo assim no rosto e aí eu perguntei, um pouco tímido: Meu beijo te faz querer outro? E ela respondeu: Faz, sim. Mas, ele está viajando.
--- Que horas são?

AULA DE NATAÇÃO
--- Assisti a uma aula de natação e aí o instrutor passou o braço esquerdo embaixo da cintura da jovem e pegou sua mão com toda a delicadeza e aí fiquei cismado.
--- Por que?
--- Minha mulher quer fazer natação.
--- Não se preocupe. Mulher da gente eles empurram na piscina.
--- Que horas são?

PROBLEMAS DE MEMÓRIA
--- Você não tem medo de repetir sempre as mesmas histórias?
--- Não. Eu confio na falta de memória dos outros.
--- Que horas são?

SIM, EXISTE UMA DIFERENÇA
--- Afinal, qual a diferença entre jovens e velhos?
--- Os jovens sonham. Os velhos têm saudades.
--- Que horas são?

domingo, 30 de outubro de 2011

ATÉ AMANHÃ

Não me assustem. Já tenho o medo que me cabe.
Não me censurem. Eu sei quais são os meus pecados.
Não me digam o que fazer. Eu já fiz o que pude e o que posso é quase nada.
Não me cobrem o bem que já vivi. Devo e não nego, pago quando puder.
Não critiquem minha ausência. Estou longe de mim, também.
Não me falem de amor. Eu sei da dor que ele deixa quando vai ou quando se esvai.
Não me ensinem a viver o hoje. Aprendi que amanhã sempre será o melhor dia.
Até amanhã.