sexta-feira, 15 de julho de 2011

SOMBRAS DA LOUCURA



Então, escondi o meu sorriso para não ser mais um que ri à toa por falta de graça, essa graça perdida pelos que se acham, sem perceber que já sumiram.

DOMINGO NO LARGO DA MATRIZ



--- O que você mais gosta nesta nossa idade?

--- Acordar e saber que eu não morrí. Ah, como é bom.

--- Que horas são?

OS INDECENTES



Os corruptos deste mundo deixam a dignidade humana numa triste solidão.

Eles riem e se abraçam alheios a todas as misérias que provocam.

Mas, haverá um fim e eles, vermes da indecência, rastejarão a invejar o vôo leve e livre da inocência.

MORADIA DESOCUPADA



A moradia acima era de um político que nunca se lembrou de que os vermes são os primeiros e mais fiéis parceiros da corrupção.

LARGO DA MATRIZ



--- Agora, depois de velho, minha mulher só me chama de anjo.


--- Você sempre foi um bom homem, meu amigo.


--- Nada disso. É que anjo não tem sexo.


--- Que horas são?

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

RENATO CAUCHIOLI


Exmo.Sr.
Antonio Celso Mossin
DD. Prefeito do Município de São Miguel Arcanjo


No uso de suas atribuições legais, espero que V. Exa. dê a um logradouro público de São Miguel Arcanjo (rua, escola, coreto) o nome de Renato Cauchioli, o Renato do Trombone (na foto é o músico que ergue o dedo, na segunda fileira).

Durante mais de meio século, Renato não se cansou de enaltecer São Miguel, onde nasceu, aprendeu música com Joaquim Maestro e de onde saiu ainda bem jovem para São Paulo, Brasil e o Mundo.

Durante mais de meio século, ele voltou todo dia 29 de Setembro a São Miguel para agradecer as graças recebidas pelo seu talento. E foram tantas. Integrou as melhores orquestras de sua época:Osmar Milani, Enrico Simonetti, Ruben Perez (Pocho), Nelso Ayres. Atuou com Sargentelli na Itália e no Principado de Mônaco. E também com Roberto Carlos, na Globo e SBT.

Na música clássica brilhou com a Orquestra Sinfônica de São Paulo.

Gravou dois LPs: Trombone Carinhoso e Trombonadas.

Enfim, muito trabalho e na breve pausa entre um compromisso e outro, São Miguel Arcanjo entrava na pauta e ele vinha e rezava e agradecia a graça de ter na regência de sua vida um Arcanjo com tanta força.

Renato merece ficar na história desta cidade, porque foi um dos que mais cantaram essa história longe daqui.

(A foto é do arquivo de Lineu Bernardi, sobrinho do grande maestro Osmar Milani. E o texto é o da carta enviada ao Prefeito de São Miguel)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

IRENE, VERÔNICA DE SÃO MIGUEL ARCANJO

Ela cantava a mesma dor da santa mulher que tirou o véu com que cobria a cabeça e o entregou a Jesus, para que enxugasse seu rosto sangrado de amor a caminho do Calvário.
E a face de Jesus ficou no lenço para nunca mais ser esquecida.
Verônica. Santa Verônica.
Irene era nossa Verônica que cantava de dor. A dor do desamor.
A voz doída de Irene era o triste sinal de que almas afoitas esqueceriam a virtude para serem virtuais.
E o "Alô, como vai você" (Irene era telefonista) viraria três linhas de palavras abreviadas pela preguiça de ser gente e pela pressa de se desfazer das mensagens. A mesma pressa de quem envia, com a mesma preguiça de ser gente.
Nós, os mensageiros do fim do amor e de nós mesmos, não vamos sentir a dor da paixão de Irene nem a dor que é feita de suor e lágrimas no Calvário que é preciso percorrer para ser eterno e virtuoso. E não virtual e descartável.
Cante em paz, Irene.