
ESTE É UM BLOG PARALELO DE MIGUELARCANJOTERRA.BLOGSPOT.COM (A UNICA DIFERENÇA É QUE ESTE BLOG TEM MAIS ESTRELAS.)
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
SEMANA DO PUM. DE 9 A 16 DE DEZEMBRO. ANO 1. NÚMERO 40

segunda-feira, 30 de novembro de 2009
AS TRÊS PRAGAS DE UMA CIDADE. DE 1 A 8 DE DEZEMBRO. ANO 1. NÚMERO 39

Tapichi, o eterno mendigo de São Miguel Arcanjo (às vezes, ele aparece), voou ao lado do índio Don Juan, bruxo e mestre de Carlos Castañeda nas suas peregrinações pelo deserto de Sonora, no México.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
SEMANA DA CORAGEM. DE 24 A 31 DE NOVEMBRO. ANO 1. NÚMERO 38
Mãe Terezinha se dividiu em seis:Dete
Fátima
Dora
Penha
Carmo
Abilinha
Essas seis se tornaram uma, igual à doce mãe multiplicada.
Doce mãe porque era mesmo um doce.
Pão doce, doce de abóbora, doce de cidra, chá de erva doce, a mãe Terezinha foi adoçando a alma das meninas e se alguma azeda de vez em quando é um azedinho doce.
Na casa dessas seis mulheres, a mãe Terezinha continua viva no inesquecível cheirinho de tempero de feijão, que sobe aos céus de São Miguel quando são 10 horas e o relógio da Igreja bate.
(Felicidade de um homem é feijão bem temperado à mesa e mulher destemperada na cama. Se mãe Terezinha ouvisse uma coisa dessas, mandaria as seis filhas já pra dentro)
Nunca houve destempero entre essas seis mulheres, porque a lição de mãe era a de espantar Coisa Ruim com a oração de São Miguel e prender as saias entre os joelhos quando soprasse o Vento do Mal, também chamado de Vento do Mar.
Na Casa das Sete Mulheres (porque mãe Terezinha continua entre elas) ninguém serve o pão que o diabo amassou aos que chegam cansados da vida. Muito menos água com açucar.
O pão é de Deus multiplicado e o café é mais forte que qualquer desconsolo.
Na Casa das Sete Mulheres, o medo da vida não entra. Nem o medo da morte. E a coragem não é de ranger os dentes, mas de sorrir.
Sorrindo da vida, sorrindo da morte, elas seguem o doce destino de fazer pão e fazer o bem sem olhar pra quem.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
SEMANA DO TERÇO. DE 10 A 17 DE NOVEMBRO. ANO 1. NÚMERO 37
terça-feira, 3 de novembro de 2009
SOL DE SÃO MIGUEL. DE 2 A 9 DE NOVEMBRO. ANO 1. NÚMERO 36
Numa saudade feita de domingo, eu sentí que o Sol de São Miguel tem cheiro de laranja madura que o vento vai espalhando por cima dos muros e deixa quem passa com água na boca.Mas, o Sol de São Miguel é o mesmo Sol de quem está longe, retrucou certa vez nossa dona Sebastiana, professora e nossa dona no Grupo Escolar. É um Sol só, não existem dois, disse ela.
Será?
Acho que nossa dona Sebastiana errou a conta e digo com a plena certeza de quem vê as coisas com saudades daquele outro Sol que passa em São Miguel.
É um Sol diferente, de manhã ou à tarde. E por ser diferente é que galo nenhum fica indiferente e levanta a crista e canta.
Em outros lugares, de outro Sol, os galos vivem quietos e bocós, de crista caida, porque ciscam sombras tristes que os corações deixam pelos caminhos.
O Sol de São Miguel é para se abrir a janela depressa de manhã e avisar todas as Marias:
Pergunte a um homem de ciência --- e que seja dos bons --- por que o Sol de São Miguel brilha mais numa gota de orvalho que outro Sol. Ele não vai saber responder. Mas, o Tio Miguér, o poeta da Terra, tem a resposta. É só pedir um verso, que ele conta.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
SEMANA DA HUMILDADE. DE 25 A 1 DE NOVEMBRO. ANO 1. NÚMERO 35
Milton e Maria. Dois versos da vida. Um verso de coragem, outro de alegria, combinados na velha rima de que no largo da Matriz sempre se forma um casal feliz.
1. Hoje que o mundo é feito de medo, feliz daquele que conheceu três homens sem medo nenhum.
Milton era um deles.
Milton Sewaybricker.
Ele, José Monteiro Terra (Trincheira) e Tonico Ortiz formavam um trio que exercia em São Miguel Arcanjo o pleno direito de ser dono de si.
Ai de quem levantasse um dedo mandão ou autoritário.
Ai de quem pisasse em pé de pobre.
Ai de quem se erguesse contra o sagrado direito de ir e vir.
E ai de quem imaginasse que aquele corpo magro do Milton significava fraqueza. Seria surpreendido pela extraordinária força de um dos mais competentes mecânicos de São Miguel Arcanjo e um dos mais generosos: nele se penduravam os donos de caminhão com problemas na vida e na biela.
2. Ah, um amigo como o Milton, onde encontrar nestes tempos? Amigo sem medo da vida: para o que der e vier. E sem medo da morte: seja o que Deus quiser. Milton, um dos meus heróis. E que se casou com minha heroina: Maria.
Milton, um homem sem medo, portanto, um homem.
TAPICHI LIDANDO COM A ANGÚSTIA
--- Só existe uma saída: a humildade.
--- Apenas humildade, Tapichi?
--- Você acha pouco??? A humildade é a mais rara virtude humana. Nas sombras da humildade sempre existe o orgulho de ser humilde. Até entre os santos existiram os que orgulhosamente se achavam mais humildes que os outros.
--- São Francisco de Assis?
--- Ah, não, eu não vou fazer fofoca.
--- Mas, de que humildade você fala, Tapichi?
--- Eu falo da humildade da humilhação!
--- Dá para explicar melhor?
---Não confunda humildade com roupa velha, sapatos furados, cara de bocó e uma boca aberta que baba amém para tudo.
--- Ai, ai, que esta conversa vai longe.
--- Você tem paciência para ficar ouvindo sem babar?
--- Claro que tenho, Tapichi. Paciência é o que não me falta: ouví muito sermão de padre quando era criança.
--- Bem, já que você está entre aqueles que não mais carregam sacos pela vida (apenas coçam), vou em frente.
--- Fique à vontade, Tapichi.
--- É o seguinte: você sabe como é que as pessoas enchem o próprio saco e ficam de saco cheio?
--- Não, Tapichi.
--- Elas vivem catando pensamentos bobos por aí.
--- O que é um pensamento bobo?
--- O pensamento sobre o que os outros pensam da gente. O pensamento de que um dia a casa pode cair. O pensamento de que a galinha do vizinho é mais gostosa ou o pinto do vizinho é mais gordo. O pensamento de que alguém viu o que foi feito escondido. O pensamento de que a Terra gira apenas em torno da gente e que o Sol só bate no nosso quintal.
--- Meu Deus, Tapichi, eu vivo pensando essas coisas.
--- É assim que a gente toca a vida girando no mesmo lugar, igual vira-lata com coceira no rabo.
--- Mas fazer o que, Tapichi?
--- É preciso sair desse círculo vicioso.
--- O que você entende por círculo vicioso, Tapichi?
--- Círculo vicioso é um ânus que sempre se senta no mesmo lugar.
--- Ai, ai, ai...
--- Desculpe a grosseria, mas não achei comparação melhor. Só fica no mesmo lugar quem tem medo de avançar. Afinal, ninguém sabe o que vem pela frente. É mais seguro ficar no lugar e disfarçar, com humildade fingida, o orgulho de ser dono do próprio mundo. Mas, um dia --- sempre haverá um dia --- em que a falsa humildade e o orgulho disfarçado vão ser humilhados escandalosamente pelo que nunca esteve escrito e nunca estará.
--- Todo mundo se acha dono do mundo, Tapichi.
--- Eu sei. Todo mundo é bocó. Bocó da vida é aquele que se mete a dono do mundo e se separa de si para mandar em si mesmo e se separa dos outros com medo de perder o poder de si mesmo e se separa de Deus porque se julga o próprio deus do seu destino.
--- Ai, ai, ai...
--- O homem não passa de um asno pretensioso, mas as pernas bambeiam e ele cai de quatro quando lá do alto e bem de longe vem o sinal de sua insignificância e impotência em querer ficar fora do mundo para manejar o mundo.
--- O homem está num beco sem saída, Tapichi?
--- Ou ele aceita e reconhece sua igualdade com tudo --- com o que está acima e o que está abaixo ---ou vira um pobre diabo que chega à velhice brigando com mosquito, não importa se rei ou mendigo.
--- Diga mais, Tapichi.
--- Ai de quem se julga no lado de cá o primeiro e único diante do Universo no lado de lá. Para quem vive nessa pretensão e separação, buscar Deus ou a riqueza é a mesma ambição de querer ser melhor que os outros. Por que se outro chegar na sua frente diante de Deus, ele vai sentir inveja. E se a busca for por dinheiro, ele ainda vai brigar com Deus: Por que ele e não eu?
--- O que fazer, Tapichi?
--- Nessa pretensão egoísta de cada um de nós de ir para o alto, a salvação, por incrível que pareça, é a queda. E que seja a queda mais humilhante, de invejar pedaço de pão velho na boca de vira-lata. Nessa extrema humilhação, o homem sente que nada neste mundo é mais, nem menos, e o esterco do fundo do quintal tem diante de Deus a mesma importância da estrela mais brilhante. Então, nesse abismo da humilhação o homem vai sentir que ele está em Deus e Deus está nele, como donos do mundo.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
SEMANA DO JORNAL NACIONAL. DE 15 A 22 DE OUTUBRO. ANO 1. NÚMERO 34

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